18 de out. de 2016

Horário de verão e a Biologia

COMPASSO QUE VARIA DE PESSOA PARA PESSOA

PARA ALGUNS, ACORDAR CEDO É SINÔNIMO DE VITALIDADE E ENERGIA. PARA OUTROS, É COMO COMEÇAR O DIA COM O PÉ ESQUERDO. ENTENDA COMO A CRONOBIOLOGIA EXPLICA PORQUE UNS SOFREM MAIS QUE OUTROS COM A MUDANÇA DE HORÁRIO

ANA LAURA PARAGINSKI | alparaginski@ucs.br
Fotos de ClaudiaVelho
O ritmo circadiano é a maneira pela qual nosso organismo se adapta à duração do período claro (dia) e do período escuro (noite), de forma a sincronizar as funções fisiológicas com a duração de um dia (aproximadamente 24 horas). Por exemplo, o ciclo sono-vigília se organiza dentro do período das 24 horas de duração do dia. A oscilação da nossa temperatura corporal também obedece a um ritmo em que ela diminui de madrugada, e, perto da hora de acordar, volta a subir, e isso se repete todos os dias. Por isso, diz-se que a temperatura corporal apresenta um ritmo circadiano. "Essa adaptação se dá pela expressão de diferentes genes, os chamados genes do relógio. Nós temos um oscilador central localizado no nosso cérebro e que vai regular a expressão desses genes nos seus neurônios de acordo com a presença ou ausência da luz. Esse é o relógio biológico principal, chamado Núcleo Supraquiasmático (NSQ)", relata a professora do curso de Biologia da UCS e PhD em Cronobiologia Humana, Giovana Dantas de Araújo. Então, quando falam em relógio biológico, você pode estar ciente de que ele realmente existe e fica dentro da nossa cabeça. "A oscilação do núcleo supraquiasmático comanda oscilações em relógios secundários existentes em outros tecidos que também vão modificar a expressão de seus genes por ordem desse relógio central. Juntos, eles formam um sistema temporizador. A própria expressão gênica no núcleo também obedece a um ritmo circadiano, com genes que são expressos durante o dia e genes que são expressos durante a noite", ressalta Giovana.
MELATONINA: O HORMÔNIO DO ESCURECER
Ao escurecer, a ausência de luz provoca modificação nas células da retina implicadas na percepção da variação na luminosidade e não da visão. Estas disparam sinais que são enviados para ativar o núcleo supraquiasmático. Este, por sua vez, faz com que o gânglio cervical superior libere o neurotransmissor noradrenalina que estimula a glândula pineal a produzir e secretar a melatonina a partir do aminoácido triptofano. "A melatonina é o hormônio responsável por sinalizar o início da noite e sua duração e, assim, iniciando uma cascata de eventos fisiológicos justamente para preparar o organismo para o repouso", salienta a professora.



A principal enzima envolvida na síntese da melatonina, a N-acetiltransferase (NAT), é estimulada pela escuridão e a presença de luz faz com que ela seja destruída. Então, a própria luz, ou a sua ausência, é o sinal para começar e terminar o processo. Além disso, existe uma relação direta entre o aumento da disponibilidade de noradrenalina e o pico noturno de melatonina. Portanto, a secreção de melatonina também apresenta um ritmo diário. Sendo assim, o ritmo está presente em todos os seres humanos, inclusive nas pessoas cegas. Na verdade, todos os organismos apresentam um ritmo biológico.
          





"Como é possível notar, o nosso relógio biológico se sincroniza com a duração do dia e isso leva à sincronização de várias outras funções. Então, a presença da luz do dia é a principal pista ambiental que nós temos para acertar o relógio biológico, mas outras pistas também são importantes, desde que haja regularidade, ou seja, ocorram sempre em torno do mesmo horário. Estas são pistas sociais, como a hora do início do trabalho e a hora das principais refeições", comenta Giovana.
Pesquisas mostram que se as células NSQ são cultivadas in vitro, elas são capazes de manter seu próprio ritmo na ausência de sinais externos. Isso significa que o ritmo é gerado endogenamente em cada pessoa. Se cada pessoa gera seu próprio ritmo, existem diferenças de uma pessoa para outra e isso pode acarretar consequências que vão desde a adaptação mais rápida ou mais demorada ao início do horário de verão até a maior presença de sintomas depressivos em pessoas com determinado perfil cronobiológico.
VOCÊ É MATUTINO OU VESPERTINO?
Todo mundo conhece alguém que acorda super cedo com toda a energia. Chega no trabalho, agiliza as atividades e cumprimenta a todos com muita euforia. Mas também é conhecida aquela pessoa que tem dificuldade para acordar cedo, chega com "cara de velório", mas é a última a sair do trabalho, além de estar sempre disposta para aquele happy hour no final do dia e vai dormir depois da meia noite. Para essa pessoa, horário de verão é um horror. A essa diferença individual que diz respeito às variações na expressão rítmica dos padrões biológicos e comportamentos chamamos de cronotipo.
Embora sejamos a maioria do tipo indiferente, ou seja, "nem tão cedo e nem tão tarde", todos podemos reconhecer as características de um ou de outro tipo em nós mesmos. Portanto, conseguimos nos adaptar às rotinas de trabalho e estudo mais convencionais: acordar às 7h para estar no trabalho às 8h ou 8h30; realizar todas as nossas atividades até às 19h ou 19h30 para às 23h estar dormindo. Porém, existem pessoas que não são assim: ou são mais matutinas ou mais verpertinas, como nos exemplos do parágrafo anterior. Portanto, não convém ficar julgando as pessoas ou chamando-as de preguiçosas. Isso é um tipo biológico e está presente em muitas pessoas que pertencem ao nosso convívio diário.
A distribuição dos cronotipos na população é genética, mas o ambiente influencia e, além disso, a preferência matunidade-vespertinidade muda com a idade e com o sexo. Bebês são mais matutinos. Na adolescência, tornamo-nos mais vespertinos. O ápice da vespertinidade ocorre aos 19 anos para as mulheres e aos 21 para os homens. Depois, a maioria das pessoas passa a se aproximar da matutinidade, primeiro as mulheres, e os homens depois, aos 50. Então, no decorrer da vida, a maioria é indiferente, mas numa idade mais avançada vamos nos tornando mais matutinos.
JET LAG SOCIAL
Para pessoas mais matutinas ou mais vespertinas, os horários convencionais podem ser conflitantes com o tempo interno e tanto sua produtividade no trabalho, como sua qualidade de vida podem ficar comprometidas. Essa diferença entre o horário convencional e o horário ideal de cada pessoa é chamada de jet lag social porque, à semelhança do que acontece quando se viaja e se troca o fuso horário, o indivíduo fica dessincronizado.
A obrigação de acordar e dormir em horários biologicamente inadequados cria um conflito entre o sincronizador social (horário de trabalho/estudo) e o ritmo interno do indivíduo. Porém, a adaptação das funções fisiológicas, em virtude das mudanças ambientais sinalizadas pelo núcleo supraquiasmático, não ocorre de maneira adequada porque as variáveis fisiológicas se adaptam com a mesma velocidade ao horário: o NSQ "manda", mas algumas funções ?não obedecem?, e a própria expressão dos genes dentro do núcleo também fica descompassada.
Para a professora de Fisiologia da UCS, Claudia Adriana Bruscatto, o sono tem os objetivos de organizar as informações coletadas durante o dia e restaurar as fontes de energia. "Com as alterações do horário de verão, tanto para adiantar como para atrasar, o nosso relógio biológico é alterado e isso leva a resultados como sonolência durante o dia, irritabilidade, déficit de atenção, entre outros", explica Claudia. Para Giovana, o principal efeito dessas alterações, especialmente no ambiente de trabalho, é o impacto sobre a capacidade mental das pessoas, afetando memória e cognição, o que gera uma maior possibilidade de se cometer erros ou de ocasionar acidentes. "A exposição à luz artificial por longo tempo, como ocorrem em fábricas, hospitais, shoppings centers e outros locais, onde os trabalhadores não têm acesso à luz natural, é outro fator que pode acarretar em prejuízo para o ritmo biológico, bem como para o humor", ressalta.
Existem muitas evidências de que a sonolência e a fadiga causadas por desalinhamento circadiano e débito de sono têm sido as principais causas de acidentes graves e tragédias em indústrias e transporte e também a causa de erros médicos cometidos por plantonistas e residentes. O polimorfismo de alguns genes do relógio também pode predispor ao comprometimento cognitivo associado à ruptura de ritmo do ciclo sono-vigília, como ao observado na privação de sono durante a noite, mostrando que existe um componente genético que leva a diferenças individuais.

A INFLUÊNCIA DA LUZ
As principais fontes de luz artificial as quais estamos expostos são as lâmpadas fluorescentes, telas de computador, televisão e aparelhos celulares que emitem na faixa do comprimento de onda do azul, a mais comum atualmente. Essa exposição à luz artificial por um longo período, principalmente a partir do horário em que já escureceu, é prejudicial tanto para a regulação do ritmo biológico quanto para o humor, já que essa mesma via também se comunica com o sistema límbico, uma região cerebral importante para a regulação do humor. As células da retina que enviam informação através dessa via são extremamente sensíveis ao comprimento de onda do azul, enquanto são muito menos sensíveis para o comprimento na faixa do vermelho.
A compreensão da cronobiologia é fundamental para a organização do trabalho nessa sociedade que vive as 24 horas do dia. A adequação ambiental dos locais de trabalho também é muito importante, já que a luminosidade é o fator que mais fortemente influencia o ritmo biológico. Entender o impacto dos ritmos biológicos, principalmente do ritmo circadiano, a tipologia cronotípica sobre o rendimento de cada indivíduo, a cognição e o humor pode nos auxiliar a escolher os horários de trabalho de forma personalizada para que cada colaborador possa dar o seu melhor sem prejudicar sua qualidade de vida. Isso facilitaria as relações nos ambientes de trabalho, tornaria essas pessoas mais produtivas, mais satisfeitas consigo mesmas e mais comprometidas.

NÃO SOFRA TANTO COM A MUDANÇA DE HORÁRIO. SIGA ESTAS DICAS:
"Comece a modificar seus hábitos de dormir uns 2 ou 3 dias antes da mudança do horário. Procure deitar na cama um pouco mais cedo, isso faz com que o organismo vá se acalmando aos poucos. Praticar exercícios físicos melhora a qualidade do sono, porém nos primeiros dias, devem-se evitar exercícios intensos ao final do dia, pois com a prática nesse horário, aumenta a temperatura corporal e altera a produção de alguns hormônios, como o cortisol e isso dificulta ainda mais o 'pegar no sono' nos primeiros dias".
Prof. Claudia Adriana Bruscatto
"A forma como o ambiente é iluminado é mais importante que a quantidade de luz . A cor da luz pode ter um efeito devastador, principalmente em longo prazo. A troca das lâmpadas fluorescentes por aquelas que melhor imitam a luz natural é recomendada. Mesmo assim, o ideal é se expor o menos possível à luz após o anoitecer, para não prejudicar a produção de melatonina e não dessincronizar os relógios biológicos".
Prof. Giovana Dantas de Araújo

FONTE:
Revista UCS - É uma publicação bimestral da Universidade de Caxias do Sul que tem como objetivo discutir tópicos contemporâneos que respondam aos anseios da comunidade por conhecimento.


6 de abr. de 2016

14 de mai. de 2015

2 de ago. de 2013

13 de mar. de 2013

Por que não devemos chamar a Orca de Baleia

Olá pessoal recebi esse esclarecimento e achei interessante compartilhar com vocês. Boa leitura Artigo de Esclarecimento Por que não devemos chamar a Orca de Baleia Por Marcelo Szpilman* Quando escuto alguns termos sendo usados de forma errada sinto um comichão para aclará-los, como já ocorreu com a típica confusão entre peçonha e veneno. Depois de ver muita gente embaralhando os nomes dos cetáceos, e chamando a orca de baleia, me senti, mais uma vez, compelido a esclarecer a questão. Se você é um dos que patina nesse tema, preste atenção. A ordem dos cetáceos (da classe dos mamíferos) é dividida em dois grandes grupos: o grupo dos cetáceos com dentes (Odontocetos) e o grupo dos cetáceos sem dentes (Mysticetos). No grupo dos cetáceos com dentes, temos, por exemplo, a orca, os golfinhos e botos, o cachalote, o narval e a beluga. Por se alimentarem de peixes, lulas e até mamíferos marinhos (no caso da orca), as espécies desse grupo precisam dos dentes para segurar essas presas, que encontram através da ecolocalização. No grupo dos cetáceos sem dentes é que estão as baleias. Elas não têm dentes, mas possuem as famosas barbatanas (cerdas bucais) que peneiram e retêm o alimento engolido (zooplâncton e pequenos peixes e crustáceos) em grandes goladas de água na superfície. Da mesma forma que seria muito estranho, e errado, chamar o golfinho de baleia, aprenda que orca é orca, cachalote é cachalote, beluga é beluga e baleia é baleia. Mais uma dica: a forma correta de se ler o termo habitat é “habitá” com “t” mudo, e não “habitati”. Agora você pode compartilhar esse artigo pelo twitter e Facebook. Acesse esse LINK. Instituto Ecológico Aqualung

2 de jun. de 2011

31 de mai. de 2011

15 de mar. de 2011

Exercícios genética - Sistema ABO

EXERCÍCIOS DE APOIO

Nome:_______________________________________ Profª Magali Feldmann Piovezan


1. Com base no heredograma abaixo,






a) Qual a probabilidade de o casal formado por 5 e 6 ter duas crianças com sangue AB Rh+


2. Na genealogia a seguir aparecem os grupos sanguíneos do sistema ABO. Qual é a probabilidade de 6 ser heterozigoto












3. Duas mulheres disputam a maternidade de uma criança que , ao nascer, apresentou doença hemolítica ou eritroblastose fetal. O sangue das duas mulheres foi testado com o uso do soro anti-Rh e os resultados são representados na figura abaixo.

.
Quals das mulheres poderia ser a verdadeira mãe daquela criança? Justifique?


4. Em ação de paternidade, um homem de renome internacional responde por alegação de ser pai de uma menina, fato que ele não admite. Exames de sangue solicitados pelo juiz revelaram que a mãe era do grupo A, a menina do grupo B e o acusado do grupo O. Com base nesses dados, é correto afirmar
A) A criança não é filha do acusado de sangue O.
B) Para uma decisão conclusiva, o juiz precisa ser informado dos grupos sangüíneos dos avôs e das avós da menina.
C) A combinação de grupos sangüíneos apresentada não oferece ao juiz possibilidade de chegar a qualquer conclusão.
D) A menina é filha de um homem de sangue A.
E) Com a combinação de grupos sangüíneos apresentada, o juiz só poderia chegar a uma conclusão se a criança fosse menino.

5. A eritroblastose fetal é uma doença que pode ocorrer em fetos com fator Rh+ e a mãe com fator Rh– . Essa doença surge quando
a) o pai possui fator Rh+ em homozigose recessiva.
b) a mãe possui o fator Rh– em homozigose dominante.
c) a mãe possui o fator Rh– em homozigose recessiva e o pai possui o fator Rh+ em heterozigose ou homozigose
d) o pai possui o fator Rh– em homozigose recessiva e a mãe pode possuir o fator Rh– em heterozigose.
e) ambos possuem o fator Rh– em homozigose recessiva.

6. Um homem sofreu um grave acidente na BR-364 quando viajava de Cuiabá/MT para Porto Velho/RO. Ao ser hospitalizado, necessitou de transfusão sangüínea. Admita que o hospital, naquele momento, dispunha somente dos seguintes grupos sanguíneos: A Rh positivo, A Rh negativo, B Rh negativo e O Rh negativo e que o homem pertencia ao grupo B Rh positivo. Dos grupos sangüíneos disponíveis, quais o acidentado poderia receber?
A) A Rh positivo e B Rh negativo
B) B Rh negativo e O Rh negativo
C) O Rh negativo e A Rh negativo
D) B Rh negativo e A Rh negativo
E) A Rh positivo, B Rh negativo e O Rh negativo

7 Um homem doador universal casa-se com uma mulher do grupo sangüíneo B, cuja mãe é do grupo sangüíneo O. Marque a alternativa correspondente aos prováveis grupos sangüíneos dos filhos do casal.a) Grupo B ou ABb) Grupo B ou Oc) Grupo AB ou Od) Apenas grupo Be) Apenas grupo O
10. Um homem do grupo sangüíneo O é acusado por uma antiga namorada de ser o pai de seu filho. Essa namorada tem um pai de grupo sangüíneo A, e sua mãe e seu irmão são do grupo O. O filho em questão é do grupo sangüíneo B. As chances de a namorada ser do grupo sangüíneo A e de o homem ser pai da criança são, respectivamente, de(A) 25% e 0%.
(B) 25% e 25%.
(C) 25% e 50%.
(D) 50% e 0%.
(E) 50% e 25%

7 de nov. de 2010

Terceirãooooo....leitura e comentário....

O eucalipto: a polêmica e o contraditório.

A polêmica.
A polêmica sobre a eucaliptocultura sempre foi acirrada e há os que atribuem a ela a destruição das matas nativas, o empobrecimento do solo, o esgotamento da água e redução da biodiversidade animal e vegetal; os plantios são monoculturas extensas, caracterizadas por apresentar baixa diversidade ecológica, resultando em instabilidade ou vulnerabilidade a mudanças climáticas ou ataque de doenças e pragas e além disso, reduzem as oportunidades de trabalho na região onde são plantadas, aumentando o êxodo rural. A simplicidade biológica própria da monocultura quando comparada à diversidade e riqueza de uma floresta nativa é flagrante. Isso sugere que a substituição de florestas nativas por plantações a título de reflorestamento seja um contrasenso, em termos ambientais, sociais e até econômicos, em face dos diversos bens materiais e imateriais (paisagem, fármacos, fitoterápicos, potencial genético, contato com a natureza, lazer) fornecidos pelas matas naturais. Os empregos gerados são considerados, em grande parte, de baixa qualidade e, na maioria das vezes, de caráter temporário, com baixos salários, más condições de alojamento e má alimentação, destacando-se pelo descumprimento da legislação trabalhista. Os trabalhadores envolvidos na produção da madeira atuam em atividades tais como limpeza e preparo do terreno para o plantio, preparo das mudas nos viveiros, plantio, combate a formigas, capina braçal, corte com motosserra, arraste, empilhamento e transporte de madeira, carregamento de caminhões, replantio, manutenção das áreas de plantio. São subdivididos em três grupos distintos de trabalhadores: trabalhadores da produção da madeira, trabalhadores da produção de carvão vegetal (carvoeiros) e mulheres trabalhadoras.O principal temor atual dos ecologistas e ambientalistas gaúchos é com a possibilidade de ocorrer no Rio Grande do Sul o que aconteceu no Espírito Santo, Uruguai e também no Sul do Chile. Nestes lugares, segundo os ambientalistas, os chamados “desertos verdes” reduziram a água disponível, extinguiram espécies e também empregos, pois as atividades foram todas mecanizadas. No Uruguai, dois projetos, de duas fábricas de celulose já aprovadas, uma da escandinava BOTNIA, a qual já adquiriu 100 mil hectares de terra, e outra da espanhola ENCE, que já adquiriu 85 mil hectares de terra, com investimentos previstos de US$ 2 bilhões, enfrentam forte resistência dos ecologistas e setores populares. No Uruguai, já são 700 mil hectares de árvores plantadas e no Sul do Chile 2 milhões de hectares. O Governo argentino questionou o investimento da finlandesa Botnia e da espanhola Ence na cidade uruguaia de Fray Bentos, reclamando da contaminação dos efluentes tóxicos que seriam jogados no rio Uruguai. Apesar de múltiplas promessas de modernização das fábricas, em termos de controle e tecnologias ambientais, as plantas que estão sendo propostas para instalação em Fray Bentos são as mesmas que, em toda parte do mundo, recebem questionamentos sobre seus impactos ambientais e são cada vez mais acuadas por legislações que impõem limites à contaminação. Conforme o Greenpeace da Argentina, um dos principais problemas das plantas de ceulose e papel é o despejo de organoclorados nos rios e demais cursos d água. São compostos que afetam a vida aquática e se armazenam nos tecidos adiposos (gorduras) dos organismos, tendo efeito biocumulativo ao longo da cadeia alimentar. Em seres humanos, causam transtornos no sistema imunológico, nervoso e reprodutor. Entre os organoclorados identificados nos efluentes desse tipo de empresas, há numerosos compostos cancerígenos e mutagênicos. O Greenpeace assinala que as plantas de celulose que pretendem se instalar em Fray Bentos representan o dobro da capacidade de produção atual de pasta de papel que a Argentina possui, pulverizada entre uma dezena de empresas. Isto significa alta concentração de contaminantes em Gualeguaychú, daí a necessidade de, conforme a ONG, de o governo argentino manter-se firme e exigir que o Uruguai cumpra o Estatuto do Rio Uruguai, o qual trata de questões de preservação. O Greenpeace também advoga que os governos de ambos os países requeiram instalações modernas, para que as empresas que se instalarem na região sejam ambientalmente sustentáveis. O Greenpeace quer que as plantas adotem um plano de produção limpa, explorando florestas sustentáveis, operando com processos não tóxicos - com tecnologias livres de efluentes - e com o máximo de reciclagem de produtos de papel. Este plano inclui a eliminação do cloro de branqueamento, pois o branqueamento é uma das partes mais prejudiciais do processo de produção do papel. A pasta pode ser branqueada com métodos que não empregam cloro - Totalmente Livres de Cloro o, TCF. Para isto, utilizam-se branqueadores à base de oxigênio, como peróxido de hidrogênio (água oxigenada), ozônio e oxigênio gasoso. Esta tecnologia totalmente livre de cloro é comprovadamente eficiente e economicamente possível. Estender o processo de cozimento e realizar o processo de deslignificação com oxigênio. Este é um pré-requisito imprescindível para fazer com que o processo possa ser totalmente livre de cloro. Com isto, são reduzidas as quantidades de lignina que ingressam nas etapas de branqueamento. Os resíduos da deslignificação com oxigênio podem ser reciclados. Eliminar totalmente os efluentes das plantas de pasta e papel. A eliminação do cloro e de seus subprodutos altamente corrosivos permite às papeleiras operar em sistemas Totalmente Livres de Efluentes. Ao tratar e reciclar os efluentes dentro do processo, é possível reduzir a quantidade de água empregada e eliminar as descargas tóxicas. Aumentar a porcentagem de papel reciclado e o conteúdo de papel reciclado pós-consumo nos papéis à venda. Dispor de medidas para que todo o papel descartado pelos órgãos públicos nacionais seja reciclado. Que o papel de impressão e escrita comprado pelo governo contenha pelo menos 20% de fibras recicladas pós-consumo após dois anos de iniciado o plano. Reduzir a demanda de papel branco. O conflito foi parar no Tribunal Internacional de Haia, com vitória dos uruguaios. A decisão, anunciada em 13 de julho de 2006, foi tomada por 14 votos contra um, tendo os juízes rejeitado o argumento de que haveria o risco de danos ambientais "irreparáveis" na atual etapa da construção das fábricas (o único voto contrário foi de um juiz argentino). No despacho, a presidente do tribunal, Rosalyn Higgins, afirma que "não há indício de que a decisão de autorizar a construção das plantas implique uma ameaça iminente ao meio aquático do rio Uruguai ou aos interesses econômicos e sociais da população ribeirinha" (BBC Brasil/Folha Online, 14/07/2006). Fiel à letra da lei, a decisão determina que o Uruguai assumirá "o conjunto dos riscos", ao permitir que as construções sejam concluídas e, futuramente, poderão até mesmo ser "desmontadas", caso fiquem comprovados danos ambientais permanentes decorrentes das suas atividades. No entanto, a Ence acabou anunciando, no dia 21 de setembro, que irá procurar outro local. O Banco Mundial suspendeu o financiamento para a Ence e para a Botnia.Entre os danos ambientais denunciados estão a degradação do solo, que geralmente fica descoberto nos dois anos após a plantação e nos dois anos depois da colheita, a erosão e a compactação gerada pelo uso de máquinas pesadas. Outro grave impacto é escassez dos recursos hídricos em função do alto consumo de água necessário para as monoculturas. No Sul do Chile, dois milhões de hectares plantados também reduziram a disponibilidade de água para as comunidades. Sob esse aspecto, a eucaliptocultura provoca prejuízos ambientais.No Brasil, também já existe um movimento contra as monoculturas, trata-se da Rede Alerta contra o Deserto Verde, com sede em Vitória, no Espírito Santo. “As grandes empresas de celulose estão comprando áreas brasileira

Fonte: www.marcobueno.net

15 de mai. de 2010

Engenharia Genética

Oi Gurizada do terceirãoooooooooo....Tarefa do trimestre....bjãoooooo

JÁ SE PODE ESCOLHER O SEXO DOS BEBÊS E SELECIONAR EMBRIÕES SEM DISTÚRBIOS GRAVES. DAQUI A ALGUM TEMPO SERÁ VIÁVEL ATÉ ALTERAR AS SUAS CARACTERÍSTICAS GENÉTICAS. PARA O BEM OU MAL, A HUMANIDADE ESTÁ SE TORNANDO CAPAZ DE DECIDIR COMO SERÃO OS NOVOS HABITANTES DO PLANETA.

Daqui para a frente a vontade de ter um menino ou uma menina não é mais um mero desejo. É uma ordem. Em setembro, a clínica americana Genetics & IVF Institute anunciou ter conseguido separar os espermatozóides com o cromossomo X - que geram garotas – dos que carregam o Y e fazem nascer rapazes. Uma fecundação artificial foi feita apenas com os espermatozóides X. Aí, dos quatorze casais que haviam pedido bebês do sexo feminino, treze conseguiram. Agora a Genetics promete, em alguns meses, tornar o método acessível a todo papai e toda mamãe ansiosos por burlar a seleção natural Inclusive famílias brasileiras. Embora a empresa não divulgue quanto vai cobrar pela satisfação paterna, sabe-se que, nos testes realizados, cada par de pais desembolsou 2.500 dólares. Isso é bom para a humanidade? “As novidades chegam tão depressa que não temos tempo de digeri-las”, disse à Super o biólogo americano Lee Silve, da Universidade de Princeton. Um dos mais respeitados microbiologistas do mundo, ele é autor de um livro importante sobre o assunto, Remaking Eden (algo como “refazendo o Éden”, ainda não traduzido para o português), no qual analisa como os novos conhecimentos da Biologia “poderão transformar a família americana”. Silver explica que a escolha do sexo é apenas o começo, pois, não demora muito, os médicos vão aprender a mexer diretamente nos genes dos embriões e, assim alterar os seus traços hereditários. Os pais vão poder decidir se querem que seus filhos nasçam mais resistentes a infecções, mais bonitos ou mais inteligentes. ”Esse tipo de manipulação genética estará disponível dentro de uns vinte anos”, avalia outro craque da microbiologia, o americano Gregory Stock, da Universidade da Califórnia. Nas próximas páginas você vai entender o que já está sendo feito o que vai ser possível fazer e os profundos dilemas éticos envolvidos nessas descobertas.
PARA ESCOLHER O SEXO, BASTA FILTRAR O SÊMEN.
Em 1993, a clínica americana Genetics & IVT Institute começou a recrutar casais que queriam escolher o sexo do bebê. Todos os inscritos estavam na faixa dos 30 anos e tinham interesse em ter uma menina. Dos catorze que fizeram o teste, só um não conseguiu o que queria, nascendo um garoto. Já se sábia, desde o início, que havia essa possibilidade de falha, pois a eficiência da técnica não é de 100% . A clínica americana chegou bem perto disso, com 92,9% de sucesso.
A margem de erro existe porque a separação dos espermatozóides depende de uma diferença muito sutil entre eles: dentro dos que carregam o cromossomo X, há 2,8% mais de DNA, em comparação com os que carregam o Y. É por trabalhar com uma disparidade tão pequena que a técnica nem sempre acerta. E a falha teria sido ainda maior se, em vez de meninas, a Genetics tentasse escolher meninos, pois é mais difícil separar os espermatozóides que têm uma quantidade muito reduzida de DNA do que aqueles que têm excesso.
DA SELEÇÃO ARTIFICIAL À ALTERAÇÃO GENÉTICA.
Não é apenas o sexo que já pode ser pré-definido. O desejo de evitar o nascimento de crianças com males incuráveis levou à criação de outras duas técnicas de escolha. Por meio da primeira, é possível enxergar os cromossomos dentro das células de um embrião. Com isso, verifica-se a presença de algum defeito causador de doença grave, como a síndrome de Down, que provoca retardamento mental. “O exame dos cromossomos também é usado para contornar males como hemofilia”, acrescenta o médico Eduardo Motta, do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva, em São Paulo. A doença pode ser detectada nos genes maternos e afeta apenas os filho homens. Aí, basta observar os cromossomos os cromossomos do embrião, dois dias depois da fecundação, para saber o sexo do futuro bebê. Se ficar claro que vai nascer menina, não há problema. Senão, o embrião é descartado. Aliás, só em casos terapêuticos a legislação brasileira autoriza a seleção de embriões. A Segunda técnica consiste em examinar não os próprios cromossomos, mas a molécula de DNA que está dentro deles. Pode-se ver, dessa maneira, se há incorreções genéticas que levam a diversas enfermidades, como a fibrose cística e a adenoleucodistrofia. Se houver, corta-se o mal pela raiz. “Optamos por implantar embriões saudáveis e descartamos os que apresentam problemas”, diz o médico Thomaz Gollop, do Instituto de Medicina Fetal e Genética Humana, em São Paulo. Até agora, os médicos conseguem apenas enxergar as características dos embriões, mas estão aprendendo a modificá-las, mexendo diretamente nos genes. “Assim, vai ser possível intervir e corrigir os defeitos” anima-se o geneticista Marcos Aurélio Sampaio, da Clínica Origem, em Belo Horizonte (MG).

UM GATILHO CONTRA O CÂNCER
É a terapia genética aplicada aos que vão nascer. Ela poderá eliminar doenças de diversos tipos. O biologista molecular John Campbell, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, imagina que seria possível poupar um futuro cidadão de ter câncer quando ele ainda estiver no estágio de um ovo – que é um óvulo já fertilizado. A solução seria introduzir nesse ovo um gene capaz de interromper o crescimento de qualquer tumor. O gene ficaria desligado até o câncer se manifestar e só então seria ativado por uma substância – gatilho a ser tomada na ocasião. A hipótese impressiona pelo benefício que traria, mas também pela complicação que acarreta. É que, ao introduzir um gene num ovo, ele passaria a agir não apenas no bebê gerado por esse ovo, mas também nos filhos dessa criança e nos filhos desses filhos. Em outras palavras, estaria dando o primeiro passo para criar uma geração de seres alterados geneticamente. Tudo bem, Campbell está pensativo numa cura. Mas e se o objetivo fosse criar uma geração mais bonita, mais inteligente ou meramente mais adequada a certos padrões de comportamento?
O QUE DÁ PARA EVITAR.
Distrofilia de Duchenne
Degeneração dos músculos.
Síndrome de Turner
Mulheres com estatura baixa, pescoço curto e infeteis.
Talassemia
Anemia e atraso no crescimento.
Adenoleucodistrofia
Perda da visão e da coordenação muscular
Síndrome de Edwards
Musculatura tensionada, dificuldade em abrir a mão e a boca.
Síndrome de Patau
Cabeça grande, lábio leporino e número anormal de dedos.
Coréia de Huntington
Perda precoce de memória e da coordenação motora.
Fibrose cística
O pulmão e o pâncreas funcionam mal.
SÓ EMBRIÃO SAUDÁVEL TEM DIREITO DE NASCER?
Até que ponto um homem ou uma mulher devem intervir nas características dos seus filhos e filhas? Para o geneticista Osvaldo Frota Pessoa, da Universidade de São Paulo, não há limite. “Não vejo nada de errado na idéia de produzir indivíduos mais bonitos e mais saudáveis”, afirma ele. “Todo mundo quer ter filhos maravilhosos e esse será o futuro”. Em teoria, a questão parece simples. Mas, na prática, a legislação brasileira proíbe qualquer intervenção sobre o patrimônio genético sem fins terapêuticos. Imagine que você queira mexer nos genes de seu filho para torna-lo mais bonito, como disse Frota Pessoa. Não pode. Pela lei, só estão autorizadas as alterações nos genes humanos destinadas a eliminar defeitos que causem problemas à saúde. Acontece que a lei, nesse caso, reflete a profunda preocupação que causa, em muitos setores da sociedade, o uso indiscriminado dos novos conhecimentos científicos. “Há quem considere imoral descartar embriões para evitar o nascimento de crianças doentes, da mesma forma como se acredita ser imoral fazer um aborto”, diz Tristam Engelhardt, do Centro de Ética Médica do Baylor College of Medicine, no Texas, Estados Unidos.
IGREJA É CONTRA DISPENSAR EMBRIÕES DOENTES.
É uma objeção que a Igreja Católica assina embaixo. “O fato de escolher o sexo ou a condição de saúde de uma criança significa deixar de aceitá-la encondicionalmente como pessoa”, diz o padre Márcio Fabri, diretor do instituto Alfonsianum de Ética. O seu ponto de vista se baseia nos ensinamentos da encíclica Sobre o Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana, divulgada em março de 1995 pelo papa João Paulo II. Mas a Igreja Católica não é refratária a qualquer tipo de intervenção. A mesma encíclica aceita que se manipulem os genes do embrião para evitar um mal. Em compensação, não admite nem a fertilização de proveta nem que algum embrião mesmo se fecundado por meios naturais, seja eliminado para outro nasça perfeito. “Tal atitude seria vergonhosa e profundamente repreensível porque presume medir o valor da humana”, diz a encíclica. Diante das várias maneiras de ver a questão, Marco Segre, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, parece procurar uma forma de conciliação. “Nenhuma tecnologia, em si mesma, é ética ou antiética”, argumenta ele tudo depende do uso que dermos a ela.

“E, enquanto visarmos o bem-estar da humanidade estaremos no caminho certo”. ??????????

Fonte: www.brasilescola.com/biologia/engenharia-genetica.htm

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